14 de maio de 2012

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Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente… um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem. Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer. Confesso que você estava em todos esses meus planos, mas eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertecendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade… quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: “Calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.” Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso. Confesso que agora só espero você. 

Caio F. Abreu

23 de abril de 2012

Não sei, queria saber se você não está a fim de amar um pouco...

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“Alô? Tem algo marcado pra hoje? Queria saber se você quer sair para beber alguma coisa.. (E ouvir umas histórias. Contar algumas também. Botar a conversa em dia. Falar sobre nós um pouco, talvez. Contar umas estrelas. Fazer uns pedidos. Quem sabe realizar alguns meus. Rir um pouco. Sentir-se leve. Esquentar um pouco os pés frios, o coração vazio. Se não quer sentar e relembrar o passado. Matar essa saudade. E essa vontade. Quem sabe sentir alguma vontade. Não sei, queria saber se você não está a fim de amar um pouco, se aceita ser amado e me amar.)”

Caio Fernando Abreu

12 de abril de 2012

Eu podia não estar assim, apaixonada por você...

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Muitas foram as vezes em que olhei para o espelho mentindo para mim mesma achando que poderia me afastar. Não nego, pensei todos os dias em desfazer esses laços, em por um pouco de distância nisso tudo, me preservando, desse modo, de algumas possíveis lágrimas que surgirão logo mais.
Mas quem já viu coração negar amor? 
Amor assim gratuito, sem nada cobrar em troca, existindo apenas pelo simples esperar de um beijo num quarto escuro... 
Não nego, novamente repito, não tenho como negar que estou gostando de cuidar de você. 
É diferente, entende? 
Sempre foram os outros que cuidaram de mim, nunca me permitir cuidar dos outros.
Pra mim cuidado envolve muita coisa e a principal delas é a confiança. 
Mas cuidando de você sei que to aprendendo a ser uma pessoa melhor. 
Menos exigente e mais permissiva e isso tudo reflete no sorriso da gente. 
Não tenho como me afastar, quando vejo você sorrir me dá logo uma vontade de sorrir de volta, é bonito, sabe.
O teu sorriso tem alma, como se anunciasse coisas boas. 
Gosto de ver você sorrir pra mim, gosto mais ainda de ver você sorrir por mim, pois é nesse momento que sei que há pelo menos um pouquinho de carinho que é só meu.
Nada anda muito coerente em minha vida, mais do que nunca dragões veem e vão esbarrando pelos cantos da nossa memória. Algumas vezes eles aparecem com cheiros peculiares, outras com olhares inquisidores e eu sei bem como é difícil cuidar de dragões, Caio anda sempre me ensinando. 
Mas aos poucos a gente acostuma a conviver com eles, sabe do que to falando? É disso. 
Não adianta expulsar eles de perto de você, só resta se acostumar com a presença quente e suas influências em nossas emoções.
E por essas e outras que continuo a pedir pela doçura das coisas, quais exatamente não sei, mas o fato de algo ser doce já é suficiente para querer estar ao seu lado e com isso continuo te chamando de Meu Bem.

22 de março de 2012

Preciso de alguém

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Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
mas nunca encontrei você na escada.



Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia – eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas. Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como – eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto – preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio – tão cansado, tão causado – qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios – que importa? (Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio – viria? virá? – e minto não, já não preciso.) Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

Caio Fernando Abreu, 1987

#Como Caio conseguiu ser tão lindo? 

23 de janeiro de 2012

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Eu queria que em um dia qualquer, você chegasse de fininho, 
me abraçasse apertado e me dissesse: 
Senti sua falta.