25 de agosto de 2011

...nada fazer...

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Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho… o de mais nada fazer.

Clarice Lispector

23 de fevereiro de 2011

Inspirações Lispectorianas III

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Meu Amor,
Meu Amado (Quanto tempo não te chamo assim)
Recomeçando...

(...)

Meu Amado,
Lembro de teus olhos
Verdes águas silenciosamente obscuras
Lembro de teu corpo
Teu corpo vidente, que olhava o meu pelo transpassar de pernas e detalhes.

(...)

Não posso negar, meus Textos mais bonitos pertecem a você.
Neles tudo é mais Tudo,
A intensidade é mais Intensa,
A Ilusão é mais verdadeira...
A Ilusão de escrever com a tinta extraída da ausência.

Inspirações Lispectorianas II

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Vê, Meu Amor, ando me organizando.
Mas não se engane.
Eu sei que tento esconder lembranças embaixo do tapete.
Mas as teias de aranha são altas, não consigo limpá-las para organizar o ambiente. 
Vê, Meu Amor.
Pode parecer - e parece - que estou tentando te esquecer.
Sou o que você me fez ser, fiquei presa em seus detalhes e sinto saudades, ainda, sempre.

Lispector, Clarice. A Paixão Segundo G. H. (pag. 71)

Inspirações Lispectorianas

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A vida, Meu Amor

Era o sentir de teus cílios sobre o suor de minha pele.
A vida era isso,
Um risco do dedo teu feito no vazio de minha cintura.
Meu Amor, a vida era exatamente o nada que nos unia,
O nada que éramos,
O nada que passou a ser as lágrimas que sequei com tua saudade.

Lispector, Clarice. A Paixão Segundo G. H. (pag. 65)

16 de setembro de 2010

Certa Manhã

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Se ele dissesse: vamos comigo ao inferno passear. Eu iria. 
C. L.


Houve um tempo em quem esse era o meu desejo.
Esperei, por dias, noites e ventos a tua mão para levar-me ao inferno de tua pele.
Houve um dia em que você me levou a alma. 
Soube pedi-la com jeito, pegou-a em meus lábios e a cativou.
Mas o tempo passou.
Hoje o dia começou com brincadeiras vis.
Nessa certa manhã a cidade colorida e meu sorriso de bom humor...
...stop crying your heart out... 
Já é fatalidade encontrar o teu perfume nos outros,
mas nos outros não é o mesmo cheiro.
Minha dimensão sensorial anda deveras treinada a não mais te sentir,
mas a sutilidade de minhas emoções se rendem a alguns sentir.
Coloquei uma pedra em ti.

Eu preciso de férias, ou talvez eu só precise de um fim de semana longe de tudo, 
ou quem sabe de um porre e também de um novo amor.