10 de maio de 2011

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"Preciso dizer neste momento, embora talvez não caiba aqui.
Ainda que me tenha isolado assim drástico,
Ainda que elabore dentro de mim e da casa pacientes,
Irrefutáveis justificativas para ter  cerrado as portas ao de fora,
o humano que afastei através dos vidros coloridos,
esse humano dói, palpita, ofega,
Tem ritmos suarentos fora de mim."

Caio F. Abreu
(O Marinheiro)

Meu cansaço

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E nesses dias de chuva o amanhecer insiste em continuar anoitecendo.
A cama, de lençóis amarelos desarrumados é o único sol entre essas paredes azúis-liláses.
Anda tudo tão desajeitado,
Por fora
Por dentro
Nas estantes e no espelho...
A chuva não ajuda em momentos de solidão,
e a lembrança, correndo que nem criança com pés na areia,
aumenta centímetros de saudades.
"Are you lost or incomplete?"
Incompleta
Definitivamente perdi alguns pedaços de mim e
cansa sentir como se precisasse deles novamente.
Preciso de novos retratos.



4 de maio de 2011

A Sombra do Mar

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Pretty Buttons"Saudade é quando os olhos procuram no vazio algo que se sabe que não vai mais encontrar. Saudade é quando você abre a porta e o cheiro ainda existe. É lembrar pra sempre do último abraço e das últimas palavras. É se arrepender de não ter dito. E se arrepender do que disse. Saudade é nunca mais voltar no tempo e ainda querer. É não existir mais o toque e ainda insistir. É não conseguir engolir, não conseguir respirar sem doer o peito. É não poder mais dividir coisas pequenas e indivisíveis. Não realizar mais milagres. Não querer mais ser o primeiro. Saudade é quando o amor não tem mais o barulho do beijo. E quando todos os espaços pequenos, ficam grandes demais."

Camila Heloíse

#Gente indico o Blog A SOMBRA DO MAR... Garanto que vocês se deliciarão ao ler os textos maravilhosos da poética Cáh. 

1 de maio de 2011

Sem Título 1

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O relógio marca 23h09 e nesse exato momento necessito urgentemente de carinho.
Lá fora chove a chuva que foi prometida durante todo o dia de espera.
O corpo relaxa na cama e sonha com um amor inundado pelas gotas torrenciais em meio a rua vazia.
O telhado, de telhas, deixa passar pelas frestas os pingos gelados.
A pele sente a dança da água na quase madrugada de uma noite a mais com a cama vazia.
E é nessa solidão que a saudade passeia livremente, como cílios perfumados, pela nostalgia despida do meu rosto. Nudez indecente, que provoca e implora por um desejo essencial.
Já marca agora 23h40 e os olhos cansam e os braços se enlaçam e o lençol abraça até a cabeça descansar no travesseiro.  
O corpo anda cansado de sentir e entre suas necessidades, há a vontade de existir.
Já são 23h48... 49...50...51...
Já são horas de descansar os delírios, deixar quieto os sorrisos e dormir pra sonhar.


“O rosto está exposto, ameaçado,
como se nos convidasse a um acto de violência.
 Ao mesmo tempo, o rosto é o que nos proíbe de matar”. 
(Lévinas)