19 de maio de 2011

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"Mas não vou ceder. Foi a última paixão. Paixão é o que dá sentido à vida. E foi a última. Tenho certeza absoluta disso. Agora me tornarei uma pessoa daquelas que se cuidam para não se envolver. Já tenho um passado, tenho tanta história. Meu coração está ardido de meias-solas. Sei um pouco das coisas? Acho que sim. Tive tanta taquicardia hoje. Estou por aí, agora. Penso nele, sim, penso nele. Mas não vou ceder. Certo, certo: ninguém tem obrigação de satisfazer ao teu desejo, pela simples razão de que você supõe que teu desejo seja absoluto. Foda-se seu desejo, ora. Me dói não ter podido mostrar minha face. Me dói ter passado tanto tempo atento a ele — quando ele nunca ficou atento a mim. E eu passei tanta coisa dura. Rita Lee canta “são coisas da vida…”"


Caio F.

17 de maio de 2011

Sensações

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De que é feita a minha pele?
De restos de abraços armazenados nos poros das lembranças suadas em tardes ensolaradas.
É uma pele feita por centímetros de olhares...
Fragmentos de beijos espalhados por pernas e braços...
Gotas de sorrisos nas mãos...

Pele construída no encontro com outras peles.

Pele com sinais que te mostram os caminhos a serem percorridos em noites de lençóis desarrumados.
Em dias de sol, sou pele com cheiro de maresia...
Brisa de mar que refresca a boca.
Em dias de chuva, sou pele com cheiro de sono...
Preguiça boa que espreguiça os corpos.
De que é feita a minha pele?
Do arrepio do banho gelado, ou do beijo no meio das costas, ou do vento que passa de surpresa na sala.
De que é feita a minha pele?
Da textura da lembrança que surge com o toque da saudade.

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Cometa bobagens. Não pense demais porque o pensamento já mudou assim que se pensou. O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. Ninguém lembra do que foi normal. Lembramos do porre, do fora, do desaforo, dos enganos, das cenas patéticas em que nos declaramos em público. Cometa bobagens. Dispute uma corrida com o silêncio. Não há anjo a salvar os ouvidos, não há semideus a cerrar a boca para que o seu futuro do passado não seja ressentimento. Demita o guarda-chuva, desafie a timidez, converse mais do que o permitido, coma melancia e vá tomar banho de rio.

Mexa as chaves no bolso para despertar uma porta. Cometa bobagens. Não compre manual para criar os filhos, para prender o gozo, para despistar os fantasmas. Não existe manual que ensine a cometer bobagens. Não seja sério; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira. Não atravesse o corpo na faixa de segurança. Grite para o vizinho que você não suporta mais não ser incomodado. Use roupas com alguma lembrança. Use a memória das roupas mais do que as próprias roupas. Desista da agenda, dos papéis amarelos, de qualquer informação que não seja um bilhete de trem. Procure falar o que não vem à cabeça. Cantarolar uma música ainda sem letra. 
Deixe varrerem seus pés, case sem namorar, namore sem casar. Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar. Leve uma árvore para passear. Chore nos filmes babacas, durma nos filmes sérios. Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. Não diga “eu sei, eu sei”, quando nem ouviu direito. Almoce sozinho para sentir saudades do que não foi servido em sua vida. Ligue sem motivo para o amigo, leia o livro sem procurar coerência, ame sem pedir contrato, esqueça de ser o que os outros esperam para ser os outros em você. 
Transforme o sapato em um barco, ponha-o na água com a sua foto dentro. Não arrume a casa na segunda-feira. Não sofra com o fim do domingo. Alterne a respiração com um beijo. Volte tarde. Dispense o casaco para se gripar. Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto. Complique o que é muito simples. Conte uma piada sem rir antes. Não chore para chantagear. 
Cometa bobagens. Ninguém lembra do que foi normal. 
Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade.


Fabrício Carpinejar

13 de maio de 2011

PERGUNTAS

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"Quando a insanidade bate à porta… a gente faz coisas realmente sem pensar. O amor deve ter alcunha de insanidade. Fazemos coisas em nome dele.
E quando a pessoa se torna uma ausência? E quando essa ausência é virtual? 
E quando é sempre inverno? E quando esperar num tem mais fim? 
E quando o amor sufoca? E quando o tempo não passa?
E quando passa veloz demais? 
E quando a memória nos prega uma peça, fazendo a gente esquecer? 
E quando é ao contrário, quando tudo é só lembrança?
Não há mais nada que uma garrafa de vinho possa me fazer. 
Ela já causou os danos e as escritas mais penosas,
as respostas mais secas, as dores mais sólidas, as despedidas mais presentes.
E ele me diz assim: vou guardar nossas lembranças, onde quer que esteja. Vai nada! 
É… eu não acredito mais nas palavras. Nem nas dele. 
Porque sim, somos todas iguais:
eu igual às outras que passaram pela vida dele 
[todas passam!/não resisti à ironizar], 
os textos que foram meus que também foram delas e ele,
igual à qualquer outro canalha que passará na minha vida. 
Só não encontrei ainda um maior do que ele, para me enlaçar."


#Não se sobrevive sem amigos e entre surpresas, lágrimas, segredos e detalhes vamos cada vez mais nos descobrindo, tirando aqueles véus já transparentes e permitindo que os queridos olhos alheios nos vejam
um pouco mais.
Não posso mentir. Tento ser forte, superar essa apatia quieta em meu quarto fechado. Mas não posso negar, não sobreviveria sem meus amigos. 
Nem aquela que diz tudo que quero ouvir e chora com minhas lágrimas.
Nem a outra que me consome o juízo, mas me apóia em todas as escolhas.
Muito menos sem aquela que não reluta em falar a verdade, quando já sabemos mas ainda não assumimos.
Hoje agradeço a essa, leonina com ascendente em gêmeos, que definitivamente me me surpreende com seus conselhos e seu cuidado. 
Obrigada pelos meus/nossos sentimentos em tuas palavras.
Obrigada pelo acalento no coração.