18 de junho de 2011

Epígrafe

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A LIBERDADE COMO FUNDAMENTO DE UMA EDUCAÇÃO INTEGRAL: UMA ABORDAGEM JASPERIANA PARA A FORMAÇÃO HUMANA 

O que é liberdade?
Para uma libertina do século dezoito, o casamento.
Para uma mulher contemporânea que odeia o marido, o divórcio.
Para um escritor pobre, o dinheiro.
A morte dos pais, a fim de publicar seus livros sem escandalizá-los,
significava a liberdade para Proust.
Para uma criança, a porta entreaberta e a luz do corredor
 podem ser o fim dos pesadelos noturnos.
 E para mim?

Como Esquecer – Myriam Campello, 2010.


#Eis a epígrafe da minha linda monografia, que enfim, depois de muita hermenêutica fenomenológica, consegui terminar.


14 de junho de 2011

Encontro Marcado*

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Tivemos dois encontros...
No primeiro Ele despiu meu corpo me cobrindo de carícias;
No segundo despiu minha alma invadindo todo o meu ser.
Acabei nua nas duas situações, mas na segunda Ele visualizou minhas minúcias desvendando meus segredos... bateu nas portas tentando acordar meus montros, por mais que eu tentasse tapar as fechaduras não adiantava... as minhas chaves já eram Dele.
Indefesa... Ele me descobriu... Ele conheceu meus medos, até os mais antigos, que eu escondia de mim mesma.
Fiquei nua nas duas situações...
Ele arrancou minhas máscaras... me olhou nos olhos e entre desculpas me beijou...
Meu coração chorava...meus montros pediam pra sair... mas minha mácara não caiu.
Entre beijos selvagens... "Me entrega tua alma"... medo, angústia, desejos, dúvidas...
Quem sou eu? Quem é Ele? Quem nós somos?
Entre promessas de reencontros... corpos novamente nus... almas novamente nuas...Um baile sem máscaras em busca da dança da perfeição.

Fui visitar a antiga Rodrigueana, pois volta e meia vem aquela saudade de quando eu era ela. Saudade óbvia, porque naquele tempo, apesar de todos os sofrimentos e dores de amores, eu era mais feliz.
Tudo começou com esse texto e a partir dele todas as letras se destinaram, com tinta de sangue escrita com a pena da vontade, ao Mephistópheles que comprou minha alma.
- Me entrega tua alma... Te mostrarei os mais deliciosos prazeres e voaremos juntos por cima da mediocridade humana.
Tudo com aquele riso sarcástico no rosto e aquele cheiro vanguardista na pele.
Foi lindo aquele dia... Verdadeiramente inesquecível.

*O Título faz referência o filme "Encontro Marcado"... O texto original lá no Rodrigueana não tinha nenhum título e agora, relendo e relembrando... Não deixei de me apaixonar pela morte, infelizmente não era uma morte com aquela carinha fantástica do Brad Pit, mas foi uma morte deliciosa apesar de todos os pesares. 

12 de junho de 2011

Febre

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Se fôssemos qualquer outra coisa além de nós?
Pelas ruas andam memórias e em supostos encontros vamos aos poucos guardando sorrisos.
Perdi o gosto de damascos que guardei por longo tempo...
Esqueci dos livros que rodeavam as paredes e lembrei daquela tarde na praia em que esperei pela mensagem  talvez trazida pelo mar.
As gotas vão se acomodando na terra que se molha e o corpo se lança cada instante mais preguiçosamente na rede estendida na varanda.
Os livros de filosofia continuam sendo os únicos a serem lidos,
E nesses tempos espera-se apenas o pôr do sol e o perfume de flores que vem do jardim.
Há dia em que o coração é cheio de vontades e grita e se despedaça e rasga e amassa as cortinas que a razão insiste em armar.
Mas façamos silêncio para ver se assim, quem sabe, essa angústia passe e possamos descansar.


11 de junho de 2011

Poesia

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“Como é lá?
Quão solitário é?
Ainda é vermelho ao pôr do sol?
Os pássaros continuam cantando no caminho para a floresta?
Pode receber a carta que eu não ousei enviar?
Posso transmitir a confissão que não ousei fazer?
O tempo passará e as rosas desaparecerão?
Agora é hora de dizer adeus.
Como o vento, que permanece e depois vai, 
exatamente como as sombras.
Para as promessas nunca cumpridas,
Para o amor mantido até o fim,
Para a grama beijando meus tornozelos cansados
E para os pequenos passos que me seguem.
É hora de dizer adeus.
Agora, como a escuridão cai,
Uma vela será acessa novamente?
Aqui eu rezo
Para que ninguém deva chorar
e para que saiba
o quanto te amei.
A longa espera no meio de um dia quente de verão.
Um velho pensamento me lembra do rosto de meu pai.
Mesmo a solitária flor selvagem timidamente afasta-se.
Quão profundamente amei.
Como meu coração acelerou ao ouvir a sua débil canção.
Eu te abençoo.
Antes de cruzar o rio negro com o último suspiro da minha alma
Começo a sonhar com uma manhã de sol brilhante
Outra vez desperto, ofuscada pela luz
E o encontro esperando por mim.”