5 de setembro de 2011

Melhore Querida

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Olá meu bem,
Também não ando bem, a cada dia que passa meu humor piora e nada me satisfaz...
Sei lá, acho que setembro chegou, mas agosto ainda sobrevive com seus desgostos.
Ele soltou todas as bruxas e antecipou nossos infernos astrais. Como podemos sobreviver a isso?
Veja, vamos tomar um café, daqueles de chocolate crocante, bem doce como sorriso de criança trelosa.
Não me abandone assim, quero ver você bem.
Quero poder te fazer bem.
Não deixe que essa saudade esquente teu corpo e te prenda na cama.
O sábado vem chegando e cervejas geladas nos esperam numa mesa de bar.
Meu bem, se aproxima a época das flores, quantas vezes eu já te disse que não quero te ver triste?
Isso não combina com você.
Você foi feita para sorrir.
Toma um banho gelado, veste um vestido rendado e vamo simbora achar alguma alegria nessas ruas cheias de sol.
Te espero pra conversarmos bobagens.
Amu tu todo dia.


Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
De "desinventar"
Você vai pagar, e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Chico Buarque

Amor também é feito de arrepios e suspiros...

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Não ando sofrendo por amor, mas pela falta dele.
Não a falta do objeto amado.
Não ando sofrendo pelo beijo que ele me deu,
nem pela barba sempre mal feita ou aquele perfume que só combinava na pele dele.
Não é dessa falta da pele e da carne que sinto.
Penso, que a lembrança desse amor específico começa, a cada dia que envelhece, a se tornar mais encantada.
Mas não, não é disso que sinto falta.
Sinto falta do desejo pelo outro, seja esse outro qualquer um que apareça e saiba transformar sua presença em saudade.
Sinto falta de me perder na leitura de um livro porque lembrei, subitamente, de uma frase despretensiosamente dita por alguém.
Sinto falta de andar pela rua com um sorriso bobo apenas pelo fato do telefone ter tocado sem nenhum tipo de espera.
Sinto falta também da espera, pois era no observar do ponteiro que se mexia lentamente que eu preparava meu coração para sins ou nãos...
Sinto falta de sentir todos os talvezes que o amor me trazia.
Se pinto minhas unhas de vermelho em pleno inverno, é porque ainda espero que o amor apareça, que eu beije sua boca qualquer, que eu marque suas costas e que minhas mãos se prendam em seus dedos sem desenlaces. Quero esperar a primavera com os lábios pintados de rosa, com olhos rabiscados de algum tipo de ilusão e com um perfume que se fixe ao meu travesseiro e me faça dormir bem.
Uma vez li em um livro que "amamos mais o desejo do que o objeto amado".
Hoje é disso que falo.
Eu sinto a falta do amor pelo desejo de amar.
Eu sinto falta de querer achar que a boca supostamente amada tem um sabor de fruta exótica... 
Sinto a falta dessa necessidade de não entender, mas apenas sentir, com cada pedaço que me é permitido, o outro que sente o prazer do meu corpo.
Me entenda, eu não falo daqueles que passaram por minhas pernas, seios e coração.
Falo dos arrepios e suspiros que senti com os seus prazeres.
Andei lembrando e lembrei que amor também é feito de arrepios e suspiros...
Amores não podem ser feitos apenas com lágrimas e lembranças,
Amores são feitos de memórias de carnes que se moem e se fundem na tentativa de não se separar, mesmo, que depois de algum tempo alguém se separe. Afinal, amor também é consequência de nossos humores.
Amar também é saber se distanciar, guardando na lembrança os sorrisos e carinhos.
Não ando sofrendo por amor, não, não mesmo...
Meu coração tá meio sei lá... digamos que, desempolgado para algumas tolices sentimentalistas.
Meu coração anda um tanto ácido e levanta, como em protesto anarquista em mim, uma placa com letrinhas garrafais: FODA-SE, POIS ANDO SEM SACO PRA TE AMAR.
Será que ele não percebe que isso anda magoando alguns outros corações, inclusive a sim mesmo?
Engraçado, lembrei agora, uma amiga me falou uma vez que meu coração é uma criança cheia de gosto. Sempre quer o doce que não pode ter e quando consegue tê-lo desgosta e joga fora.
Meu coração gosta de dar corda para enforcar, mas também gosta de pegar cordas e ser enforcado.
Tenho um coração suicida. #Fato.
Um coração que se mata por certas almas que nem o percebem.
Mas que se mata por livre arbítrio e bem sabe disso e foi exatamente por ter feito essa descoberta que  diminuiu suas lamentações.
Bem, minha querida, que bom que você ainda sobrevive.
Querido, sinto saudades de ler suas cartas. Fique bem também.
Se em qualquer esquina dessas eu achar algum amor perdido, o trarei para casa e farei todas as suas bobagens. Por enquanto, me perco no emaranhado de minhas bagunças e qualquer coisa, se der certo, eu os aviso.
Beijos nos olhos e nas mãos.

2 de setembro de 2011

O tempo é a maior distância entre dois lugares...

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Não tenho estrutura pra você,
pra ceder as tuas vontades, as tuas loucuras...
pra ter você sem ter,
pra sentir que és minha, mesmo sabendo que tens dono.
Não quero mais sentir que não sou o bastante.
" Você tem que deixar ela partir!" - É isso, professor! És um sábio.
Pronto, amor- É isso!
Te deixo partir.
Você me pedia isso o tempo todo. Até quando me implorava para eu não te deixar - você queria mesmo era que eu te libertasse desse meu despreparo pra te receber na minha vida.
Meu corpo te agrada, te sacia, te conforta, mas não é o suficiente pra você. Na impossibilidade de ser por inteira...
Pode ir, linda!
Volta, quando eu estiver pronta pra te receber... Se é que um dia terei estrutura que não desmorone quando o furacão de teus impulsos insistir em passar por nós.
"Está afastada de quem se ama é andar, permanentemente, na direção contrária à que se deseja".
Eu te amo, mas isso não basta!
Estarás em minhas melhores lembranças, sempre!

# Por email!

Eis um texto de uma moça que, volta e meia, anda com diferenças tão lindas.
É muita pertubação, muito ciúme, muita loucura, demasiado AMOR.

1 de setembro de 2011

Hello September

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No sonho um desconhecido recitava poesia.
Ele surgiu em meio ao caos de prédios em chamas, onde gritos e lágrimas adornavam o sofrimento plástico de cada um que sofria pela perda de qualquer coisa não tida.
Acordo e perco suas palavras... Insisto. Ainda na cama tento lembrar de ao menos um verbo, mas não consigo.
Penso que o apanhador de sonhos que decora meu quarto tem algum problema em seu filtro, será que ele não percebe que certas lembranças vindas do sono eu quero deixar guardadas em minha falsa realidade?
Bom dia setembro... Eu estava mesmo esperando por você.
Agosto passou por minha porta, bateu, entrou e em um longo espaço de 5 semanas ele me deu uns poucos sorrisos, cansaços e alguns desgostos, como é de sei feitio.

Você bem sabe, agosto tem a péssima mania de desgastar sentimentos, de trazer chuvas em dia de sol, de quebrar amizades e deixar os cachorros loucos latindo a noite inteira sem me deixar dormir.
Setembro, de você aguardo a primavera que venho tentando criar. Não precisa que ela tenha rosas, margaridas e girassóis, mas se possível, por favor, algumas tulipas. Nada de dálias, muito menos violetas, mas pode mandar jasmins e cerejas que me façam inveja.
Quero manter minhas amizades, quero manter o resto de felicidade que guardo naquela foto em minha parede e ninguém sabe. 
Quero praias... 
Urgentemente preciso me deitar na areia e sentir o sol queimar cada célula desse meu corpo pálido. 
Gosto quando o sol deixa meu corpo com aroma de canela e gosto de mar.
Bem, querido setembro, seja doce, se possível, ando cansada de rudezas.
Sem mais para o momento.


Atravessamos agostos que parecem eternos e, 
nos setembros, suspiramos quase leves outra vez: 
Meu Deus, passou. Que setembro venha com bons ventos, 
que me traga sorte e amor,
 que não me deixe sofrer, por favor.

Caio F. Abreu.