16 de janeiro de 2012

Contínua Tortura

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Na janela de um apartamento com colchões no chão, seus olhos cruzaram os meus.

Foi estranho, não nego, e mesmo sendo sonho, meu corpo, paralisado, não acreditava ser teu corpo aquele que ali passava com o mesmo andar desleixado de sempre.
Não entendo o porque de ainda sentir saudades de você. 
Talvez isso seja porque ando perdendo amores e sua lembrança, maldita lembrança, gosta de pairar na memória dos meus dias felizes.
Não foi bom te ver no sonho. 
Definitivamente não foi. 


 NÃO ERA AMOR, ERA MASOQUISMO.

11 de janeiro de 2012

Vênus

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(...)


Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.

Paulinho Moska

5 de janeiro de 2012

4ª Lição

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Você quer mudar de lugar comigo para ver o que eu vejo?

Dos desejos suspirados pelos meus olhos, deixo de existir no instante que plantas tua mão em mim, e assim me transfiguro instantaneamente no pulsar de tuas veias. As luzes, sempre apagadas, escondem escassas penumbras em meio ao desespero do suor que escorre misturando nossos cheiros.

Veja bem, meu amor, você quer sentir o que eu sinto?

Minha língua, salamandra furta-cor, busca detalhes que se tornem nossos e do lado de cá, meu corpo dança em sua boca e com isso a minha boca ri, as minhas pernas tremem, a minha mente se esvazia no silêncio de sua respiração e assim o meu espírito grita os meus gritos enquanto você sussurra.

Todos os pelos se arrepiam como medusas hipersensíveis e todas as gotículas de suor, saliva, perfume e gozo se fixam na memória dessa pele, me condenando ao carma de nunca mais te esquecer. O que fazer então para que não se esvaziem as sensações de nossos desejos?

Reservar ternuras...

Acalentar prazeres...

Aceitar a sentença de todos os meus quereres.


* Para quem quiser uma trilha sonora

10 Metas para (tentar) realizar

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1 – Mais calma. Calma para respirar fundo nos momentos difíceis e não gritar. Calma para, com as mãos, poder segurar o sofrimento e não deixar que ele me dilacere nos dias que me faltam abraços.

2 – Mais ânimo. Ânimo para saber que nada está sendo feito em vão. Ânimo para ter certeza de que há um motivo pelo qual sorrir, mesmo que as coisas pareçam vazias entre as paredes brancas. Ânimo para levantar da cama e seguir qualquer caminho que leve a qualquer lugar.

3 – Mais dedicação. Dedicação comigo mesma, com os outros e com o mundo. Dedicar mãos, olhos e alma a algo que precise de atenção. Dedicação aos livros que andam empoeirados, as letras que andam escassas, aos amigos sempre amados, à família, mesmo que distante, ao corpo abandonado e aos olhos, cada dia mais tristes.

4 – Mais tempo. Tempo para ser perdido olhando o mar. Tempo para pintar com tinta de dedo o nariz de uma criança que ri. Tempo para deitar na cama alheia e guardar sonos em caixinhas aveludadas. Um pouco mais de tempo para perder à toa com a vida que passa sem ser percebida por essas bocas que se calam.

5 – Menos lágrimas. Os olhos, cansados, carregam baldes de choros que já não deviam existir. Menos lágrimas, por favor, para que a vista, defeituosa, possa encontrar amenidades e quem sabe, assim, sorrir. Portanto, para isso, mais sorrisos em nossos dias de chuva.

6 – Mais presentes. Presentes para mim e para você. Quem não gosta de ganhar embrulhos e sorrisos enlaçados com fitas de sentir? Mais presentes, mais presenças, mais instantes-já.

7 – Menos autoanálises terapêuticas. Menos tentativas de achar que qualquer tola filosofia pode responder às perguntas de corações aflitos. Menos paranoias existencialistas ajudariam na diminuição de tantos porquês constantemente desnecessários.

8 – Menos capitalismo exacerbado. Por favor! Menos consumismo, menos sapatos, roupas, perfumes e penduricalhos fúteis que adornam minhas necessidades de rasa felicidade. Menos números no fim do mês ajudariam consideravelmente para diminuir os níveis de preocupação do sangue.

9 – Músicas novas. Filmes novos. Novos lugares para serem lembrados. Novas lembranças são fundamentais em tempos de constante apatia por conta da perda do perfume de velhas memórias. Novas pessoas, os mesmos amigos (pois esses sempre serão necessários), uma paixão (de certa forma já plantada), mais dias de praia calma, mais noites estreladas em lugares desertos, mais fotografia penduradas pela casa.

10 – E por fim equilíbrio. Ando tirando o juízo da gaveta, ando tentando ser mais racional, menos passional. Assumo minhas culpas e alimento diariamente meus monstros. Equilíbrio para continuar atravessando a corda por cima desse abismo que cavo com meus pés. Um pouco mais de compromisso com a felicidade talvez ajude ela a acertar o meu endereço.

#Pois bem, saber o que eu quero/preciso para 2012 foi algo complicado de ser analisado. 2011 foi conturbado o suficiente para não acha-lo um ano ruim nem bom. Ao mesmo tempo em que tive realizações, viagens, aprovações e sucessos, também tive perdas, amores que se mantiveram longe, amizades desperdiçadas, família e todas as suas exigências conservadoras. Mas, de agora em diante, ando pregando o desapego de momentos enfadonhos, guardo em mim apenas as coisas boas.