11 de setembro de 2012

Soneto XI

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Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pelo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado, 
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra, 
busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas, 
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado de tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto, 
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas

e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo 
buscando-te, buscando teu coração ardente 
como um puma na solidão de Quitratúe.


Pablo Neruda

# E faminto fico esperando-te com a lembrança de teus beijos em minha boca.

Em algum canto por aí

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Podia ser mais fácil sabe?
Antigamente as coisas eram mais doces,
No início de tudo há um certo encantamento que embriaga.

Há tanta dificuldade de conviver, em continuar por meses com o mesmo encantamento do primeiro dia.

A convivência nos rouba a surpresa de descobrir novos detalhes e aquilo que era desconhecido se torna algo tão comum, que vai ficando mais difícil ainda de encontrar o encantamento já visto.
Por qual rua estamos nos perdendo?
Por quais esquinas esquecemos de nos beijar?
Não vejo mais em seus olhos a admiração de dias atrás...
Não vejo mais em suas mãos o cuidado da sobriedade...
Em algum canto por aí há de haver algo nosso que ainda nos pertence.
Não basta amor...
O amor sozinho não satisfaz a paz.


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Overdose de Nando Reis para dias de desespero sempre é algo que alivia a alma...

30 de agosto de 2012

Necessidade de (Re)Ternura

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De repente me ponho a pensar sobre as mudanças das coisas.
Antigamente você me ligava (pontualmente) entre 13h e 13h30 com uma ternura na voz que dava à minha infernal tarde de trabalho a doçura de pensar em ti. 
Hoje há dias em que espero até a 01h, porque você disse que ligaria "daqui a pouco". 
Ligo, já meio irritada pelo fato de ser esquecida e vejo que a pontualidade se perdeu em meio a qualquer programa que passe em qualquer canal.
Isso me faz pensar que talvez, tenhamos, de certo modo, perdido nosso ar de ternura telefônica.
Ou melhor, isso me faz pensar que acabamos gastando toda nossa ternura quando queremos conquistar aquele a quem se quer amar. 
Você já foi mais doce...
Eu já fui mais meiga...
Mas será que gastamos nosso estoque de bondade e ternura quando não éramos nada além de possibilidades efêmeras?
Hoje, que somos possibilidades concretas, acabamos por nos perder em meio a carinhos programados... É como se a rotina tivesse nos amarrado as pernas e aqueles dias em que bati de surpresa na tua porta se institucionalizaram em sexta/sábado/domingo.
Eu lembro, que em algum momento, tínhamos fins de semana só nossos, sem problemas ou imprevistos. Eu sei que algum dia a gente deve ter vivido pra gente, não pode ser ilusão minha. 
Há um déjà vu em mim de que isso que eu quero eu já tive. 
Talvez eu tenha errado em algumas concessões que fiz, 
Talvez você também tenha errado em suas ocupações.
Mas será que não tem como voltar (nem que seja de vez em quando) a sermos o que éramos quando nada éramos um para o outro?
Definitivamente nós, seres humanos, somos uns insatisfeitos.

8 de agosto de 2012

"Traga a vasilha para enchermos de Liberdade!"

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"Nada mais triste que um amor sem amor."


Esse menino tava com a febre do rato mesmo ao fazer esse filme.
Recife apareceu na tela em preto e branco com uma poesia carregada de sujeira e amor.
Uma cidade e suas palafitas, seus personagens tão característicos e um poeta.
Assistir Febre do Rato no Cinema São Luiz foi lindo, fazia anos que eu não pisava lá dentro e já nem sabia mais como era o seu ar de antigamente.
Entre risos e lembranças o filme foi se tecendo em meu sorriso e referências foram surgindo. Me lembrei de pessoas, cantos e livros e toda aquela película se envolveu de significados perturbadores.
Que cenas lindas! A tela de repente se tornava um porta retrato e os olhos se encantavam com as sombras e luzes que envolviam cada personagem.
O sexo foi divinamente horizontalizado e nos fez mudar a perspectiva de nossos olhares.

"Porque você não me quer?
Se for por falta, eu me procuro.
Se for por excesso eu me mutilo."

Não tenho muito o que disser, foi tudo muito sentido e o visual foi absurdamente marcado, como quando Zizo escreve em sua pele todos os anseios por sua amada Eneida.

Ps. Confesso não ter curtido o fim, pra mim o filme poderia ter terminado 10minutos antes, mas o que são 10minutos finais diante de uma lindeza tão exaltada?! Assistam...